2 de fevereiro de 2010

Anacronismo


Anacronismo (do grego ἀνά "contra" e χρόνος "tempo") é um erro em cronologia, expressada na falta de alinhamento, consonância ou correspondência com uma época. Ocorre quando pessoas, eventos, palavras, objetos, costumes, sentimentos, pensamentos ou outras coisas que pertencem a uma determinada época são errôneamente retratados em outra época. Anacronismos podem ocorrer em um relato narrativo ou histórico, numa pintura, filme ou qualquer meio. Um exemplo poderia ser um filme encenado no século XIX em que aparecesse um computador. Nesse caso, dir-se-ia que o computador é um anacronismo.

Neologismo


Neologismo é um fenômeno linguístico que consiste na criação de uma palavra ou expressão nova, ou na atribuição de um novo sentido a uma palavra já existente. Pode ser fruto de um comportamento espontâneo, próprio do ser humano e da linguagem, ou artificial, para fins pejorativos ou não.

Pertence à família morfológica Neo (novo), cuja origem deriva do latim novus, nova, novum e do grego νές; do sânscrito návah.


Pode também referir-se a uma nova doutrina no campo da Teologia que procura esclarecer o significado e significante das expressões presentes nas traduções bíblicas.

Vício de linguagem


Vícios de linguagem são, segundo Napoleão Mendes de Almeida, palavras ou construções que deturpam, desvirtuam ou dificultam a manifestação do pensamento, seja pelo desconhecimento das normas cultas, seja pelo descuido do emissor.

Ambiguidade

Ambiguidade é a possibilidade de uma mensagem ter dois sentidos. Ela geralmente é provocada pela má organização das palavras na frase. A ambiguidade é um caso especial de polissemia, a possibilidade de uma palavra apresentar vários sentidos em um contexto.

Ex:
  • "Onde está a cachorra da sua mãe?" (Que cachorra? A mãe ou a cadela criada pela mãe?)
  • "Este líder dirigiu bem sua nação"("Sua"? Nação da 2ª ou 3ª pessoa (o líder)?).
Obs 1: O pronome possessivo "seu(ua)(s)" gera muita confusão por ser geralmente associado ao receptor da mensagem.

Obs 2: A preposição "como" também gera confusão com o verbo "comer" na 1ª pessoa do singular.
A ambiguidade normalmente é indesejável na comunicação unidirecional, em particular na escrita, pois nem sempre é possível contactar o emissor da mensagem para questioná-lo sobre sua intenção comunicativa original e assim obter a interpretação correta da mensagem.

Barbarismo

Barbarismo, peregrinismo, idiotismo ou estrangeirismo (para os latinos qualquer estrangeiro era bárbaro) é o uso de palavra, expressão ou construção estrangeira no lugar de equivalente vernácula.

De acordo com a língua de origem, os estrangeirismos recebem diferentes nomes:
Ex:
  • Mais penso, mais fico inteligente (galicismo; o mais adequado seria "quanto mais penso, (tanto) mais fico inteligente");
  • Comeu um roast-beef (anglicismo; o mais adequado seria "comeu um rosbife");
  • Havia links para sua página (anglicismo; o mais adequado seria "Havia ligações (ou vínculos) para sua página".
  • Eles têm serviço de delivery. (anglicismo; o mais adequado seria "Eles têm serviço de entrega").
  • Premiê apresenta prioridades da Presidência lusa da UE (galicismo, o mais adequado seria Primeiro-ministro)
  • Nesta receita gastronômica usaremos Blueberries e Grapefruits. (anglicismo, o mais adequado seria Mirtilo e Toranja)
  • Convocamos para a Reunião do Conselho de DA's (plural da sigla de Diretório Acadêmico). (anglicismo, e mesmo nesta língua não se usa apóstrofo 's' para pluralizar; o mais adequado seria DD.AA. ou DAs.)
Há quem considere barbarismo também divergências de pronúncia, grafia, morfologia, etc., tais como "adevogado" ou "eu sabo", pois seriam atitudes típicas de estrangeiros, por eles dificilmente atingirem alta fluência no dialeto padrão da língua.

Em nível pragmático, o barbarismo normalmente é indesejável porque os receptores da mensagem frequentemente conhecem o termo em questão na língua nativa de sua comunidade linguística, mas nem sempre conhecem o termo correspondente na língua ou dialeto estrangeiro à comunidade com a qual ele está familiarizado. Em nível político, um barbarismo também pode ser interpretado como uma ofensa cultural por alguns receptores que se encontram ideologicamente inclinados a repudiar certos tipos de influência sobre suas culturas. Pode-se assim concluir que o conceito de barbarismo é relativo ao receptor da mensagem.

Em alguns contextos, até mesmo uma palavra da própria língua do receptor poderia ser considerada como um barbarismo. Tal é o caso de um cultismo (ex: "abdômen") quando presente em uma mensagem a um receptor que não o entende (por exemplo, um indivíduo não escolarizado, que poderia compreender melhor os sinônimos "barriga", "pança" ou "bucho").

Cacofonia - Plebeísmo - Prolixidade - Pleonasmo vicioso - Solecismo - Eco - Colisão


Cacofonia, cacófato ou cacófaton, é o nome que se dá a sons desagradáveis ao ouvido formados muitas vezes pela combinação de palavras, que ao serem pronunciadas podem dar um sentido pejorativo, obsceno ou mesmo engraçado, como: por cada, boca dela, vou-me já, ela tinha, como as concebo e essa fada.

A cacofonia pode constituir-se em um dos chamados vícios de linguagem, e devem ser evitados, tanto na linguagem coloquial quanto na escrita.

Cacofonia


A cacofonia é um som desagradável ou obsceno formado pela união das sílabas de palavras contíguas. Por isso temos que cuidar quando falamos sobre algo para não ofendermos a pessoa que ouve.

São exemplos desse fato:
  • "Ele beijou a boca dela."
  • "Bata com um mamão para mim, por favor."
  • "Deixe ir-me já, pois estou atrasado."
  • "Não tem nada de errado a cerca dela"
  • "Vou-me já que está pingando. Vai chover!"
  • "Instrumento para socar alho."
Não são cacofonia:
  • "Eu amo ela demais !!!"
  • "Eu vi ela."
  • "você veja"
Como cacofonias são muitas vezes cômicas, elas são algumas vezes usadas de propósito em certas piadas, trocadilhos e "pegadinhas".

Plebeísmo


O plebeísmo normalmente utiliza palavras de baixo calão, gírias e termos considerados informais.
Exemplos:
  • "Ele era um tremendo mané!"
  • "Tô ferrado!"
  • "Tá ligado nas quebradas, meu chapa?"
  • "Esse bagulho é 'radicaaaal'!!! Tá ligado mano?"
Por questões de etiqueta, convém evitar o uso de plebeísmos em contextos sociais que requeiram maior formalismo no tratamento comunicativo.

Prolixidade


É a exposição fastidiosa e inútil de palavras ou argumentos e à sua superabundância. É o excesso de palavras para exprimir poucas idéias. Ao texto prolixo falta objetividade, o qual quase sempre compromete a clareza e cansa o leitor.

A prevenção à prolixidade requer que se tenha atenção à concisão e precisão da mensagem. Concisão é a qualidade de dizer o máximo possível com o mínimo de palavras. Precisão é a qualidade de utilizar a palavra certa para dizer exatamente o que se quer.

Pleonasmo vicioso


O pleonasmo é uma figura de linguagem. Quando consiste numa redundância inútil e desnecessária de significado em uma sentença, é considerado um vício de linguagem. A esse tipo de pleonasmo chamamos pleonasmo vicioso.

Ex:
  • "Ele vai ser o protagonista principal da peça".
  • "Meninos, entrempara dentro!"
  • "Estou subindo para cima."
  • "Não deixe de comparecer pessoalmente."
  • "Meio-ambiente" - o meio em que vivemos = o ambiente em que vivemos.
Não é pleonasmo:
  • "As palavras são de baixo calão". Palavras podem ser de baixo ou de alto calão.
O pleonasmo nem sempre é um vício de linguagem, mesmo para os exemplos supra citados, a depender do contexto. Em certos contextos, ele é um recurso que pode ser útil para se fornecer ênfase a determinado aspecto da mensagem.
Especialmente em contextos literários, musicais e retóricos, um pleonasmo bem colocado pode causar uma reação notável nos receptores (como a geração de uma frase de efeito ou mesmo o humor proposital). A maestria no uso do pleonasmo para que ele atinja o efeito desejado no receptor depende fortemente do desenvolvimento da capacidade de interpretação textual do emissor. Na dúvida, é melhor que seja evitado para não se incorrer acidentalmente em um uso vicioso.

Solecismo


Solecismo é uma inadequação na estrutura sintática da frase com relação à gramática normativa do idioma. Há três tipos de solecismo:
De concordância:
  • "Fazem três anos que não vou ao médico." (Faz três anos que não vou ao médico.)
  • "Aluga-se salas nesse edifício." (Alugam-se salas nesse edifício.)
De regência:
  • "Ontem eu assisti um filme de época." (Ontem eu assisti a um filme de época.)
De colocação:
  • "Me empresta um lápis, por favor." (Empresta-me um lápis, por favor.)
  • "Me parece que ela ficou contente." (Parece-me que ela ficou contente.)
  • "Eu não respondi-lhe nada do que perguntou." (Eu não lhe respondi nada do que perguntou.)


Eco


O Eco (ou rima) ocorre quando há na frase terminações iguais ou semelhantes, provocando dissonância.
  • "Falar em desenvolvimento é pensar em alimento, saúde e educação."
  • "O aluno repetente mente alegremente."
  • O presidente tinha dor de dente constantemente.

 

Colisão


O uso de uma mesma vogal ou consoante em várias palavras é denominado aliteração. Aliterações são preciosos recursos estilísticos quando usados com a intenção de se atingir efeito literário ou para atrair a atenção do receptor. Entretanto, quando seus usos não são intencionais ou quando causam um efeito estilístico ruim ao receptor da mensagem, a aliteração torna-se um vício de linguagem e recebe nesse contexto o nome de colisão.

Exemplos:
  • "Eram comunidades camponesas com cultivos coletivos."
  • "O papa Paulo VI pediu a paz."
Uma colisão pode ser remediada com a reestruturação sintática da frase que a contém ou com a substituição de alguns termos ou expressões por outras similares ou sinônimas.

30 de janeiro de 2010

Imperativo Categórico


Imperativo categórico é um dos principais paradigmas da filosofia de Immanuel Kant. Sua ética e moral terão por base este preceito. Para o filósofo alemão, imperativo categórico vem a ser o dever de agir na conformidade dos princípios que se quer que sejam aplicados por todos os seres humanos.

O Imperativo Categórico é enunciado com três diferentes fórmulas, são estas:

- O próprio Imperativo Categórico, sobre o qual Kant coloca: “age como se a máxima de tua ação devesse tornar-se, por tua vontade, lei universal da natureza”.

- O Imperativo Universal: “age como se a máxima de tua ação devesse tornar-se, por tua vontade, lei universal da natureza”.

- O Imperativo Prático: “age de tal modo que possas usar a humanidade, tanto em tua pessoa como na pessoa de qualquer outro, sempre como um fim ao mesmo tempo e nunca apenas como um meio”.

Inferência


Inferência: É uma conexão indireta entre assuntos.É uma ilação ou dedução. Em lógica, inferência é a passagem, através de regras válidas, do antecedente ao conseqüente de um argumento.

Contudo, tanto em Coaching quanto em Trabalho Organizacional, a inferência é aplicada em formato de ferramenta - a Escada da Inferência. Essa teoria foi desenvolvida por Chris Argyris, através de uma pesquisa em 1990, com o título de Ladder of Inference, e mostra que adotamos crenças baseadas em conclusões inferidas do que observamos e nem sempre comprovadas, acrescidas por experiências passadas.

Premissa e Falsa premissa


Na lógica, uma premissa é uma fórmula considerada hipoteticamente verdadeira, dentro de uma dada inferência. Esta constitui-se de duas partes: uma coleção de premissas, e uma conclusão.

Uma dada fórmula pode ou não ser conclusão de uma dada coleção de premissas. Isto depende da Lógica ou do sistema lógico considerado.
 
Uma falsa premissa é uma proposição incorreta que dá forma à base de uma silogismo lógico. Uma vez que a premissa (proposição ou assunção) não é correta, a conclusão traçada pode ser errônea. O silogismo baseado em premissas falsas é também conhecido como silogismo erístico. É importante notar, entretanto, que a validade (na técnica, não no senso comum) de um argumento é uma função de sua consistência interna, e não do valor verdadeiro de suas premissas.

Por exemplo, considere o seguinte silogismo, que envolve uma falsa premissa óbvia:
  • Todos os peixes vivem na água. (premissa)
  • A baleia é um peixe. (premissa)
  • Logo, a baleia vive na água. (conclusão)
São verdadeiras a forma do argumento e a conclusão, apesar desta ter sido deduzida baseada em uma premissa falsa.

Outro exemplo:
  • Se as ruas estão molhadas, é porque choveu recentemente. (premissa)
  • As ruas estão molhadas. (premissa)
  • Portanto, choveu recentemente. (conclusão)
Este argumento é logicamente válido, mas demonstravelmente errado porque sua primeira premissa é falsa — alguém com uma mangueira poderia ter molhado as ruas ou o rio local tê-las inundado, etc. Uma análise lógica simples não revela o erro desse argumento, uma vez que essa análise deve aceitar a veracidade das premissas do argumento. Por esta razão, um argumento baseado em premissas falsas pode ser muito mais difícil de refutar, ou mesmo discutir, do que lidar com um erro lógico comum, uma vez que a veracidade de suas premissas deve ser estabelecida para satisfazer todas as partes.

Outra característica de uma argumentação baseada em falsas premissas, que pode confundir as críticas, é que sua conclusão pode de fato ser verdade. Considere o exemplo acima novamente. É bem possível que tenha chovido recentemente, e que as ruas estejam molhadas. Isto, obviamente, não serve para provar a primeira premissa, mas pode fazer com que seja mais difícil de refutar.

A falsa premissa forma a base do problema epistemológico de se estabelecer relações de causalidade.